Posts Tagged ‘Scrum’
Caros Amigos,
Como temos falado, nós estamos buscando a adoção da metodologia scrum para o desenvolvimento de sistemas/sites. Temos feito algumas iniciativas para criar a cultura scrum na Infoglobo, até porque, para que ela funcione bem, não basta apenas o envolvimento das pessoas que precisam estar diretamente ligadas ao projeto. É necessário que toda a estrutura da empresa (ou das áreas afins) entenda o que o time espera dela.
Para reforçar este processo, fizemos uma matéria interna para o nosso jornalzinho. Abaixo, seguem as perguntas feitas sobre o tema. Ela mostra um pouco deste nosso início de experiência… As perguntas foram feitas pela Luciana Calaza, que cuida do jornal:
Algumas áreas da empresa estão utilizando o método Scrum para acompanhamento de projetos. No que consiste este método?
Trata-se de um método ágil para gestão de projetos, que se aplica muito bem a desenvolvimento de software. Desenvolver software é bastante complicado e normalmente os requisitos são muito alterados durante sua implementação. Estas mudanças, na metodologia tradicional, são sempre complexas, pois o escopo é fechado no início do projeto, normalmente quando um fornecedor é contratado… As mudanças precisam, assim, ser rediscutidas, podendo gerar custo adicional ou aumento do prazo de entrega. No scrum, a mudança faz parte do processo… Mudar é normal! Até porque, quem já desenvolveu ou solicitou um novo sistema sabe que, de um dia para o outro, as necessidades podem mudar e… mudam mesmo! A definições e os desenvolvimentos são feitos em ciclos curtos e pré-determinados de tempo, possibilitando a revisão das funcionalidades e prioridades do projeto.
No Scrum, atua um time composto pelo P.O. (Product Owner), que é uma pessoa da área de negócio responsável por todas as definições do produto. O P.O. precisa, portanto, ter autoridade para definir os pontos ou, quando isso não for totalmente possível, agilidade para envolver as pessoas necessárias para as decisões. É por isso, inclusive, que é importante toda a organização entender o método e contribuir para o seu andamento: as pessoas precisam estar disponíveis para as definições sob o risco de parar o time… Este time ainda é composto pelo scrum master, que gere a equipe e dá ritmo ao projeto, e a equipe, propriamente dita, é composta normalmente por desenvolvedores, designers e testadores. Este time “quebra” o escopo em pequenas histórias, já previamente priorizadas, e as desenvolve dentro daqueles ciclos fixos de tempo, os sprints, que podem ter 2 a 4 semanas de trabalho.
Como As áreas da empresa participam o método Scrum?
Hoje, temos apenas uma célula scrum na empresa, atuando em um determinado projeto, que está servindo como um piloto para o método. Em funcionando, e acreditamos que isso acontecerá, pois o método nos parece ser muito adequado à cultura da Infoglobo e para os desenvolvimentos de sites que costumamos fazer, o scrum poderá e deverá ser utilizado para outros projetos da mesma natureza. Para isso, inclusive, já fizemos algumas palestras sobre o Scrum: desde uma apresentação para a diretoria até outras palestras para gestores de áreas e líderes de projetos na empresa. O objetivo das mesmas foi disseminar o método e começar a criar esta cultura para uma nova abrodagem dos projetos, por acreditarmos que ele venha a atender a algumas das nossas necessidades/constatações: a) com relação à construção de um site, por exemplo, a área tem a idéia, mas nunca um escopo fechado, pois ele vem sendo construindo ao longo da implementação e b) mudanças constantes não deixam de acontecer, basicamente pela razão anterior.
Como os funcionários estão se adaptando a ele?
É uma mudança grande e, aos poucos, as pessoas estão se adequando. Na verdade, apesar de o time diretamente envolvido (os desenvolvedores) ser composto por terceiros (a CI&T é a empresa que contratamos para o desenvolvimento), as pessoas que estão envolvidas estão muito empolgadas com o método e acreditando que ele possa ser muito útil para os projetos futuros. Nós da Tecnologia, aportamos alguns analistas no em torno do projeto extamente para absorver este novo conhecimento. E acreditos que eles estejam se adaptando e gostando.
Exsite porém a necessidade de uma grande disponibilidade: integral do P.O. e do time e bastante grande das pessoas que estão envolvidas no projeto de certa forma. Aqui existe, então, um desafio, para as pessoas e para as áreas (nossa empresa), que precisam “encontrar” esta disponibilidade no nosso complicado dia-a-dia. O resultado, porém, faz-nos crer que vale a pena este foco. É para o bem do projeto e, consequentemente, para o bem da empresa.
Como o Scrum tem contribuído para os resultados dos projetos? É possível dar exemplos?
A vantagem do scrum é que, apesar de ágil, isso não quer dizer que ele seja feito de qualquer forma. Ele é um método rígido que tem seus ritos e impõe disciplina. Em função disso, o método possibilita uma gestão por indicadores, pois tudo pode ser medido. Isso é uma grande vantagem e pode ser visto ao término de cada sprint. No nosso caso, os sprints são realizados em 2 semanas. Além de você vir acompanhando o andamento dia-a-dia, após este curto período, você pode acertar os pontos problemáticos, os rumos, as diretrizes e as prioridades, ao longo de todo o projeto. O ganho é que você não precisa esperar o “caldo entornar” para resolver os pepinos.
Além disso, o pressuposto de cada fim de sprint é a entrega de software funcionando. Funcionando mesmo! É claro que você precisa dividi-lo para que ele caiba no desenvolvimento de 2 semanas, mas ele sai dali prontinho! Neste caso, você não precisa esperar meses, para receber o produto final (que muitas vezes já não atende mais à necessidade atual, pois já se passou muito tempo e os requisitos mudaram). Os usuários, portanto, podem acompanhar muito de perto a evolução do produto e passar feedbacks constantes, que alimentam o time e fazem com que o processo de desenvolvimento melhore a cada sprint.
Nós temos o apoio do Juan Bernabó, consultor da Teamware, na implantação do Scrum, e ele faz sempre uma pergunta: “Como um projeto atrasa 1 ano?”. A resposta é simples: “um dia de cada vez”. Para evitar que isso aconteça, uma medida também simples é adotada no método: reuniões diárias de 15 minutos com todo o time. Nestas sessões, conhecidas com “stand up meetings” (pois elas são feitas de pé), a equipe diz o que fez ontem e o que fará hoje, apontando ganhos e problemas para serem rapidamente resolvidos.
Nós já realizamos 2 sprints e algumas telas funcionando já foram até mostradas e aprovadas pela área de negócio… Para se ter uma idéia, ao apresentar os resultados para as áreas nas reuniões ao fim de cada sprint, conhecidas como sessões de Review, os “stakeholders” envolvidos chegaram a aplaudir as entregas… Cá entre nós, quando que as áreas usuárias aplaudem projetos de tecnologia?
Fonte: Oglobo
Caros Amigos,
No último domingo, o Rodrigo March escreveu uma ótima matéria sobre o Scrum no Boa Chance. Tem ótimas entrevistas… Uma delas com o Juan Bernabó, da Teamware, consultor que vem nos apoiando na adoção do método aqui na Infoglobo. Fala também das origens do Scrum, referenciando dois dos grandes papas na gestão do conhecimento: Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka, de quem virei fã após ler o livro recomendado pelo Fabrício.
Vale a leitura, sem dúvida! O artigo está completo aí abaixo:
Fim ao Planejamento sem Fim
Um método de trabalho, inicialmente utilizado no desenvolvimento de softwares, está virando febre entre empresas brasileiras. Trata-se do scrum, conceito que chegou ao Brasil há três anos e agora começa a chamar a atenção, inclusive de áreas além da computação. A técnica funciona assim: profissionais de diferentes áreas responsáveis pela elaboração de um projeto passam a trabalhar numa mesma sala. A cada duas semanas, eles devem entregar uma parte do projeto. O cliente fica junto da equipe e pode sugerir ideias. Juntos, vão testando os resultados, passo a passo.
O nome vem de uma jogada do rugby em que oito jogadores de cada time se encaixam formando uma espécie de muralha. Um outro jogador joga a bola no meio do túnel formado para que os dois grupos a disputem. O trabalho em equipe é fundamental.
Fora dos campos, os benefícios da interação são muitos. O principal é que chega-se a um produto de maior valor, porque o cliente pode testá-lo ao longo de seu desenvolvimento, descartando as ferramentas que julgar desnecessárias. A integração diminui o ruído da comunicação e também favorece a criatividade. Além disso, a equipe responde mais rapidamente a mudanças, constantes no mundo atual. Com o progresso em metas de curto prazo — que são fixadas em post-its nas paredes —, a produtividade aumenta e economiza-se tempo e dinheiro, sustenta Juan Esteban Bernabó, diretor da Teamware, que presta consultoria sobre o método no Brasil:
— É uma forma diferente de trabalho, como o just in time (sistema de produção por demanda, inventado pela Toyota), só que para projetos de software. Mas o método já está sendo aplicado em outros tipos de empresa. Ele promove uma reengenharia social, como faz a Supernanny naquele programa de TV. Ela altera as regras das famílias mudando a atitude dos pais. O scrum age na gestão e modifica comportamentos.
Bernabó tinha uma empresa que recuperava projetos de software usando o scrum. Em 2006, devido ao interesse das empresas, fundou a Teamware, para dar consultoria sobre o método. Desde então, já esteve em mais de 150 empresas. No método tradicional de desenvolvimento de programas, o analista conversa com o cliente e redige um documento com os requisitos do projeto para o arquiteto de software, que depois o repassa à equipe. É o que defensores do scrum chamam de corrida de revezamento.
— As pessoas se falam por documentos. Mais de 70% da comunicação é não-verbal. Isso gera problemas, porque, se não tenho a facilidade de me expressar de um escritor, parte da mensagem vai se perder. Já no scrum, o contato é direto e constante — frisa Bernabó.
Outra diferença é que, na forma usual de trabalho, o cliente recebe um cronograma e informações sobre o andamento do projeto. Mas só vai vê-lo no fim. No scrum, o cliente trabalha com a equipe, visualiza o produto o tempo todo e pode usá-lo enquanto ele vai sendo desenvolvido.
— Isso evita que ferramentas dispensáveis sejam criadas, perdendo-se tempo. No editor de texto Word, por exemplo, 80% das funções não são usadas. Ou seja, só 20% das funcionalidades agregam valor ao produto, mas o cliente paga pelos outros 80% — ressalta Bernabó.
Pesquisa da Standish Group, de 2003, mostra que só 33% dos projetos são entregues no prazo, no custo e no escopo definidos. Mas 65% das ferramentas criadas acabam no lixo. E das 35% restantes, apenas 20% são, de fato, apropriadas.
O Grupo Accenda é uma das empresas fora da área de tecnologia da informação (TI), que adotou o scrum, há oito meses. A empresa é formada por outras três: Pitanga (agência de publicidade), 212F (marketing promocionale eventos) e Espala (assessoria de imprensa e relações públicas). Antes, as equipes eram divididas por especialidades. Hoje, o trabalho funciona em células com profissionais variados.
— Existimos desde 2005, e sempre vendemos a ideia de que fazíamos comunicação integrada. Mas, na prática, era diferente. Para executar projetos, dividíamos tudo por especialidade. Por isso, adotamos o scrum. Hoje, um jornalista pode dar contribuições muito importantes numa peça publicitária. A gente brinca que nossa equipe é ‘indisciplinar’, pois multidisciplinar são todos trabalhando no mesmo lugar, mas cada um no seu papel — diz o presidente do Grupo Accenda, Gustavo Camargo.
Segundo Camargo, além da produtividade,o scrum gerou um aumento substancial na qualidade dos produtos da empresa: — Hoje tudo é fruto de criação coletiva.
Projeto com vários inícios, meios e fins
O webdesigner Marcelo Casé está hoje numa equipe scrum, que trabalha na construção de um site. Ele garante que o método dá certo em qualquer área:
— Você obtém um detalhamento maior do trabalho no curto prazo. No modelo tradicional, os projetos têm início, meio e fim. Isso gera atrasos e muitos erros. No scrum, temos vários inícios, meios e fins ao longo do projeto. Já há um site (www.scrum.org.br) que reúne a comunidade adepta do scrum no Brasil, criado em outubro por Ana Rouiller, pesquisadora e sócia da SWQuality, de Recife, que usa a ferramenta nos projetos da empresa desde 2004: — Hoje temos uma febre scrum no Brasil.
O conceito de scrum como método de trabalho foi definido, em 1986, num estudo publicado na Harvard Business Review, uma publicação da Harvard Business School, escola de negócios americana. Depois disso, a indústria de software se apropriou da ferramenta.
Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka analisaram companhias líderes nos Estados Unidos e no Japão que adotaram novos métodos para gerir processos de desenvolvimento de produtos. Os dois constataram que elas eram mais flexíveis e tinham características semelhantes, como o fato de darem grande liberdade para as equipes desenvolverem projetos estratégicos. Sem dizer o que
fazer e como começar, as empresas acreditavam que criavam um clima de tensão no grupo diante do desafio. “Eu acredito que a criatividade nasce quando as pessoas são colocadas contra a parede e pressionadas quase ao extremo”, opina um executivo da Honda no artigo.
Essas companhias davam autonomia para as equipes se auto-organizarem com sua própria
dinâmica. O resultado é que esses grupos passavam a trabalhar unidos. Daí, veio o termo scrum, a jogada do rugby em que o trabalho em equipe é fundamental para obter a bola. Os gerentes evitavam um controle rígido das equipes, para não prejudicar a criatividade e a espontaneidade. Trabalhando perto um do outro, essas pessoas respondiam mais rapidamente a mudanças do mercado e o conhecimento se propagava com mais velocidade.
Desenvolvimento pessoal é estimulado pelo método
A Ericsson é uma das companhias em atuação no Brasil que adotou o scrum. Isso, há um ano, e como resposta à crescente demanda dos principais clientes por maior rapidez nas entregas e constantes mudanças de cenário.
— As redes de telecomunicações são complexas e muito tempo era gasto com o planejamento de projetos, que estavam constantemente sofrendo alterações. Essa metodologia otimiza o planejamento e nos torna mais flexíveis para atender ao mercado, que está cada vez mais dinâmico — justifica Paula Costa, gerente de desenvolvimento operacional do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Ericsson. A principal vantagem para as equipes envolvidas, diz, é o aumento da competência: — Como os times são multifuncionais, todos têm chances de executar diversas atividades como design, teste, configuração, entre outras. Desta forma, ampliam suas áreas de atuação. Existe também um aumento de motivação por se tratar de uma metodologia diferente da que temos usado e que desafia nossos processos, que já estão bastante otimizados.
Para Ana Rouiller, pesquisadora e sócia da SWQuality, o sucesso do método se deve, entre outros motivos, à facilidade que os profissionais têm para compreendê-lo:
— É uma revolução que resgata conceitos e comportamentos do passado, que faziam com que a indústria tivesse melhor qualidade e as pessoas fossem mais felizes e comprometidas com os resultados.
‘Antes, eu fazia as coisas em cima da hora, sob estresse’
Marcelo Casé passou a usar o método, inclusive, na sua vida pessoal. Ele trocou uma cortiça
de fotos em casa por um quadro onde fixa post-its com as tarefas que tem de realizar no curto prazo para atingir um objetivo. As equipes que executam projetos em scrum também fixam post-its com as missões que devem cumprir a cada duas semanas. Esse período é chamado de sprint:
— Antes do scrum, geralmente, fazia as coisas em cima da hora, sob estresse. Atualmente, eu posso usar o scrum para planejar uma viagem, comprar um carro, entre outras coisas, seguindo etapas e fixando prioridades para atingir esses objetivos. Em artigo na internet, já há quem discorde do uso de postits (porque perdem a cola, são pequenos etc.) e prefira cartões para anotar as tarefas. Mas todos concordam que o que importa mesmo é a agilidade para enfrentar a velocidade das mudanças.
Fonte: Globo/Tecnologia